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Técnicas da "saída do Tempo" [pránáyáma]

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Técnicas da "saída do Tempo" [pránáyáma]

Posted by João Camacho at February 05. 2012

                        Técnicas da "saída do Tempo" [pránáyáma]

                        A iluminação instantênea, o paradoxal salto fora do Tempo obtém-se após uma longa disciplina, que comporte tanto uma filosofia, quanto uma técnica (...). Lembremos algumas técnicas que têm como objectribo parar o fluxo temporal. A mais comum, e a realmente pa-indiana, é o pránáyáma, a ritmização da respiração. Antes de mais nada, queremos notar algo importnte ainda que o seu objectivo final seja superar a condição humana, a prática do Yôga começa por restaurar e melhorar essa mesma condição humana, por lhe dar uma amplitude e uma majestade que parecem inacessíveies aos profanos. (...) todas as formas de Yôga implicam uma transformação prévia do homem profano – fraco, disperso, escravo do seu corpo e incapaz de um verdadeiro esforço mental – em Homem glorioso: com uma saúde física perfeita, mestre absoluto de sue corpo e de sua vida psicomental, capaz de se concentrar, consciente de si próprio. É tal homem perfeito que finalmente o Yôga se esforça por superar, e não apenas o homem profano, o homem de todos os dias. (...) a fisiologia e a vida psicomental do homem profano assemelham-se muito a um caos. A prática do Yôga começa por organizar esse caos, por – digamos a palavras – cosmicizá-lo. O pránáyáma, a ritmização da respiração, transforma pouco a pouco o yôgi num Cosmos: a respiração não é mais arrítmica, o pensamento não é mais disperso, a circulação das forças psicomentais não é mais anárquica.Ora, trabalhando dessa maneira sobre a respiração, o yôgi trabalha directamente sobre o tempo vivido. E não há adepto do Yôga que não tenha experimentado durante esses exercícios respiratórios uma outra qualidade de tempo. Tentou-se inutilmente descrever essa experiência do tempo vivido durante o pránáyáma; ela foi comparada ao tempo beatificante da audição da boa música, às alegrias do amor, à serenidade ou à plenitude da prece. É certo que, diminuindo progressivamente o ritmo respiratório, prolongando cada vez mais a expiração e a inspiração e deixando passar o maior intervalo possível entre esses dois momentos da respiração, o yôgi vive um outro tempo que não o nosso.

Mircea Eliade, Imagens e símbolos.Ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso

 

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